O futuro da televisão numa sociedade de écrans

A televisão sempre assumiu um importante papel cultural, enquanto plataforma de distribuição de conteúdos capaz de chegar simultaneamente a um leque muito alargado de públicos.

O papel do écran de tv na sala, agregador das rotinas familiares e dinamizador de dinâmicas sociais, tem evoluído e nalguns casos migrado para outros meios, baseados em lógicas de consumo mais individualistas. Mas nos grandes momentos ou eventos coletivos, experienciados em simultâneo, como no caso das grandes transmissões de futebol ou de programas marcantes na nossa sociedade, a televisão recorda-nos o seu poder de atração e união das audiências em torno de um interesse comum.

No que toca à tv “tradicional”, é verdade que em termos médios para o conjunto da população tem vindo nos últimos anos a perder algum tempo dedicado ao seu consumo, sendo esta queda mais visível nalguns grupos-alvos, mas simultaneamente verificam-se aumentos de consumo noutros grupos.

Apesar da fragmentação de consumo de media, imposta pelo crescente alargamento de opções, e da consequente transferência de investimentos publicitários para outros meios (nomeadamente na área digital), globalmente no nosso mercado o meio televisivo continua a captar a maioria do investimento (embora em algumas categorias de produto essa já não seja uma regra).

Ao contrário do que alguns chegaram a vaticinar, a televisão não está portanto em risco de extinção. Até porque se tem sabido reinventar e adaptar às evoluções e ajustar a sua proposta de valor para se manter competitiva face às alternativas que entretanto surgiram, com as quais compete numa lógica de alternância, mas também de complementaridade a modelos como as plataformas de streaming com uma penetração ainda relativamente baixa entre nós.

Numa rápida retrospetiva da evolução recente partimos de um leque limitado de canais generalistas para uma oferta quase ilimitada de canais hipersegmentados, de um consumo passivo para uma experiência interativa, onde o time-shift tomou o lugar no zapping no controlo sobre o ritmo de consumo, e onde o telespectador define a sua própria grelha de programação num regime “my time”, apoiado pelos mecanismos de recomendação de conteúdos incluídos nas plataformas de distribuição.

A “nova Tv” desenvolve-se hoje através de múltiplas formas de consumo (devices, locais, modalidades de acesso e controlo sobre os conteúdos), suportada por diferentes dinâmicas geracionais nos seus padrões de consumo audiovisual.

O conceito que hoje temos do que significa “ver Tv” bem como as portas de entrada no universo de experiência e acesso a conteúdos que este meio representa irá certamente continuar a evoluir.

Numa sociedade onde os écrans assumem um crescente protagonismo, no plano da vida individual e coletiva, a Tv tem um papel e um futuro assegurado, mesmo que ainda não o consigamos antever completamente, a Tv tem o seu futuro assegurado, na medida em que consiga acompanhar as evoluções tecnológicas, as necessidades dos indivíduos e as dinâmicas dos produtores de conteúdos.

Qual é o futuro da TV e a TV do Futuro?

Qual é o futuro da TV e a TV do Futuro?

Você já parou para refletir sobre qual será o futuro da TV ou a TV do futuro? Para a maioria das pessoas pode ser apenas um sonho, desejo ou um exercício de futurologia. Mas para quem trabalha diretamente no setor de mídia e entretenimento, essa discussão é a realidade do dia a dia do trabalho.

Vai muito além da discussão técnica ou operacional. Em 2020, ano em que a TV completa 70 anos de história no Brasil, pensar no seu futuro envolve a ressignificação da TV como a conhecemos. Para os criadores, implicará em mudanças narrativas na hora de contar suas histórias – será que a novela continuará a mesma?

Já para a publicidade, essa TV do amanhã promete mudanças significativas não apenas no “fazer propaganda”, mas também em novas formas de monetização. Se hoje o branded content já é realidade, no futuro a união de história e anúncio será mais intensa, personalizada e indissociável.

Isso sem contar as mudanças na tecnologia para quem faz o show! A pandemia mostrou que é possível produzir muita coisa de casa. Jornais, séries e outras atrações ganharam um novo fôlego, migrando das estruturas profissionais dos estúdios para algo individual, feito dentro de casa.

E tudo isso no momento em que entramos no ápice da TV 2.5, já pensando no que queremos para a TV 3.0. Nem todos sabem, mas o que há de mais moderno na televisão de hoje foi desenhando há mais de uma década!

Se ficou curioso para saber mais sobre essa história e para onde vai o mercado de tecnologia e negócios de mídia e entretenimento, fique atento ao calendário da SET eXPerience 2020.

Em 1º de outubro começam as mini-palestras on demand da SET eXPerience Academy. No final de novembro tem início a SET eXPerience Live, evento ao vivo, gratuito e com transmissão digital.

Mas, afinal, qual é o futuro da TV e a TV do futuro? Levamos a questão aos principais especialistas do mercado e não chegamos a uma resposta, mas a várias! Confira abaixo as principais impressões de quem faz a SET eXPerience 2020:

“Aquele momento em que uma pessoa senta no sofá e relaxa não vai mudar. O que deve existir no futuro é uma TV que reconhece o padrão de uso do telespectador, como a graduação do volume, o horário, o tempo gasto em determinada atração, e adapta o que é oferecido no momento em que o aparelho é ligado. A TV do futuro é aquela que aprende e te proporciona uma experiência personalizada. E você olha e acha que aquilo é mágica” – David Britto (Membro do conselho deliberativo da SET, coordenador do módulo de mercado do SBTVD, CEO Mirakulo)

“Eu vejo essa TV do futuro muito vigorosa. Ela transita entre os eventos de massa na TV aberta, passando pelos conteúdos que atendem a grupos e nichos da TV a cabo, até chegar na outra ponta, com a internet no um a um. Quando falamos no futuro da TV, é esse o mecanismo que eu vejo” – Roberto Franco (Head de Assuntos Institucionais e Regulatórios do SBT e conselheiro das entidades: SET, ABERT e Fórum SBTVD e Curados da Trilha SET Business & People)

“Na introdução de uma tecnologia, é preciso escolher o estado da arte, para quando a migração for concluída, ela ainda seja relevante. O que quero que a TV seja pelos próximos 20 anos? Agora considero a ultra-alta definição, o estado da arte em codificação de áudio, mais quadros por segundo e uma integração com a internet ainda melhor” – Luiz Fausto (Luiz Fausto, coordenador do módulo técnico do Fórum SBTVD e especialista em Tecnologia e Regulatório da Globo)

“A TV do futuro será super personalizada, vai falar direto com o telespectador. Quando entrar para assistir à novela das 20h, ele verá comerciais que têm a sua preferência de consumo. Já o futuro da TV vai trazer experiências diferenciadas, conteúdos com cada vez mais qualidade. As apostas estão no 4K, 8K, em áudio imersivo muito grande – praticamente um cinema na sua casa” – Camilla Cintra (Coordenadora do GT Compartilhamento de Infraestrutura da SET e Supervisora Executiva da Área de Projetos de Transmissão da TV Globo)

“É uma TV que não se limita a apenas um meio. O que chamamos de TV híbrida talvez seja o último paradigma da televisão. A TV do futuro pode agir em tempo real e formatar a programação para um usuário específico, atendendo aos desejos dele. Pois o futuro da TV é ser o centro de consumo de conteúdos desse usuário, realizando o que ele desejar naquele momento” – Marcelo Souza (Membro do Conselho Deliberativo da SET e diretor de Produtos OTT da Globo)

“A TV continuará exercendo um importante papel para a sociedade e a democracia. O futuro da TV será cada vez mais forte e presente junto à a comunidade. Com os canais de interatividade e operação multiplataforma, esse diálogo com a população será mais amplo e cada vez efetivo como comunicação de massa” – Ivan Miranda, curador da Trilha regulatória, membro do conselho da SET e diretor de Engenharia da RPC (Afiliada da TV Globo no Paraná)

“A produção audiovisual do futuro será cada vez mais realista, com maior resolução de imagem e áudio imersivo, apoiando-se em tecnologias que permitirão ao produto final uma aproximação cada vez maior do ambiente percebido por um ser humano.

“O futuro da TV será a tela inteligente, que conectada de múltiplas formas, permitirá agregar conteúdo de todas as fontes possíveis e imagináveis, contribuindo com a entrega de valor ao nosso dia a dia, com a qualidade audiovisual máxima que nossos sentidos puderem captar e, totalmente customizável, disponível em inúmeras versões, conforme cada aplicação. O desafio do futuro será o crescimento do nível de inteligência e facilidade de uso, que se moldará aos nossos hábitos, deixando a interação vez mais seamless, algo semelhante a interação humana” – Carlos Cauvilla, [Diretor de Tecnologia de TV e Rádio da Rede Anhanguera , Representante da Regional Centro-Oeste da SET e Curador da trilha Conectividade e Infraestrutura AV

“O Futuro da TV será cada vez mais customer driven, com foco na personalização através do uso de AI e ML, conteúdo VOD, além de streaming, que vem impulsionando o conceito de: em qualquer lugar e no seu tempo. Todavia, a programação linear, não necessariamente a TV Aberta, permanecerá altamente relevante na cultura dos grandes eventos e esportes. O desafio que os tradicionais e novos players têm em comum, é a co-criação de uma “nova” cadeia de valor, que possa sustentar a qualidade na produção do conteúdo. Falar da TV do Futuro é bastante amplo, pois o que é TV? É streaming? É TV Aberta? É a SMART TV? É o Youtube ou Facebook ou o TIK TOK? É o que entretém e nos informa? E do ponto de vista da experiência? Será realidade virtual? Holografia? Diante das diversas perspectivas, eu diria que a TV do Futuro é tudo isso junto e misturado, colocando sempre o foco no consumidor” – Daniela Souza, da SVP Negócios, Membro do Conselho Deliberativo da SET e Curadora da Trilha Negócios e Tecnologia.

Impossível não ficar empolgado com as possibilidades abertas pela visão desses experts. E ao invés de esperar por tudo isso, você pode fazer parte dessa mudança e estar muitos passos à frente da maioria. As informações você encontra na SET eXPerience 2020.

Essa e outras discussões estarão nas duas fases do evento: a SET eXPerience Academy, que tem início em 1º de outubro com mais de uma centena de mini-palestras on demand, e a SET eXPerience Live, evento ao vivo e com transmissão digital com os principais keynotes e debates do mercado, que começa a partir de 30 de novembro.

Em breve as inscrições estarão abertas. Não fique fora. Inscreva-se na nossa newsletter para ser avisado.

Leave A Comment